Morria há cerca de 10 anos, um dos realizadores mais importante do cinema português, um realizador que quer pelas limitações ideológicas da época, quer por poucos recursos financeiros e logísticos, nunca prescindiu de fazer o seu cinema.

Manoel de Oliveira começa a sua carreira com a curta metragem, Douro, Faina Fluvial em 1931 e é com essa curta metragem que consegue a atenção da indústria cinematográfica na epoca “Com um mínimo de condições favoráveis Manoel de Oliveira realizou o que outros não realizam com o máximo” — José Régio

Anos mais tarde, mas ainda com o mesmo pano de fundo de “Douro, Faina Fluvial”, Manoel de Oliveira lança a sua primeira longa metragem, “Aniki Bóbó”, é um filme que tendo sido protagonizado por crianças, mas tem o seu olhar bastante adulto, um filme que nos conta a história de dois rapazes, Carlitos e Eduardo que têm uma paixão por Teresinha. Este acaba por ser um dos filmes mais conhecidos do realizador, tanto pela maneira de como todo o filme é realizado, como pela maneira simples mas poética de o ver.

Amor de Perdição

O filme que continua a tetralogia dos Amores Frustrados, a adaptação do livro de Camilo Castelo Branco para o cinema por Manoel de Oliveira, durante muito tempo foi discutida, como uma obra sem alma, e que deixava o espectador cansado e desgastado pela sua duração, e pelos seus planos fixos que são lentos, na época descrito como uma provocação, Amor de Perdição é exímio na forma de transportar o espectador para aquilo que acontece no filme e também para o deixar emergir naquele mundo que lhe é presente especificamente tratando de uma obra de época, para além disso o filme trata o tempo de uma maneira muito especifico, é preciso contar uma história e essa história será contada ao ritmo do autor, e isso Oliveira não falha. A partir daqui a crítica internacional começa de certa forma a olhar para o cinema de Oliveira com um olhar atento, Serge Daney escreveu na altura “ Oliveira insistiu que o filme fosse visto em continuidade. Pela primeira vez, não é uma questão de capricho do autor nem de terrorismo: amor à perdição é um dos raros filmes cuja duração é a própria matéria”. (citação dos Cahiers du Cinema edição número 301)
Le Soulier de Satin
A Maior obra de Manoel de Oliveira em termos de duração (com cerca de 6 horas e 50 minutos) é também uma adaptação da obra de Paul Cladel.
“Quase sete horas de duração, planos geralmente longuíssimos, no limite material da duração do “magasin”, câmara normalmente imóvel, impondo um único ponto de vista sobre personagens que, também normalmente, estão estáticas e se falam sem se olhar e sem olhar para a câmara, fixando um algures indefinido e insituado” escreveu João Bénard da Costa nas Folhas da Cinemateca.

Non ou a Vã Glória de Matar

Oliveira nunca teve medo de exprimir no seu cinema que gostava do seu país, quer por no início da sua filmografia, retratar o Porto como a cidade que o viu nascer, Oliveira quer neste filme a contar os feitos de Portugal. Non continua a nível de escala a ser um dos maiores épicos do cinema português.
Vale Abrãao

Um dos filmes mais queridos dos cinéfilos ou mesmo dos fãs de Oliveira, o filme que vai contar a história de Ema uma mulher inocente mas com uma beleza tão grande, que faz com que os condutores tenham acidentes, Ema é contudo infeliz quer porque casou com um homem que não gosta, quer por que não se sente verdadeiramente realizada. Ema é interpretada pela magnífica Leonor Silveira.
“a beleza é aquilo que mais abate o nosso fingimento” (citação do filme)
Viagem ao Princípio do Mundo
Neste filme Oliveira junta Marcello Mastroianni, com a sua usual escolha de elenco português e faz um filme sobre o regresso as origens, sobre luto e sobre morte, pode de certa maneira até se constatar que aqui Oliveira começa a tocar em temas mais de certa forma mais “adultos” talvez pois a idade do realizador também aumenta portanto há também uma mudança da temática usada anteriormente.
A Carta
Filme que concedeu a Manoel de Oliveira o prémio de “Grande Prémio do Juri” em Cannes em 1993 que foi até a epoca um dos maiores prémios do cinema português, que têm como elenco principal Chiara Mastroianni e Pedro Abrunhosa.
Palavra e Utopia

O filme que vai nos contar a história do padre António Vieira, uma das características mais interessantes do filme é como Oliveira parte a história em três períodos diferentes da figura do padre, “repartindo‑o” por três atores muito queridos pelo realizador, Ricardo Trêpa na juventude, Luís Miguel Cintra na idade adulta e Lima Duarte no fim da vida.
O Gebo e a Sombra

Aos 102 anos de idade, Manoel de Oliveira realiza a sua última longa metragem, em um filme que explora a classe social e a moralidade, a maneira como todo o filme é iluminado, o jogo de sombras, e como é tudo muito sereno.
Oliveira é, e sempre será figura incontornável do cinema português e que deixa um legado inigualável ao cinema, a sua filmografia continua a ser alvo de visionamento e de discussão, e esperamos que assim o continue a ser.
Artigo feito por: Guilherme Paiva